Setembro traz importantes questões sobre a saúde mental no envelhecer

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saúde mental ao envelhecer

Setembro é marcado por datas importantes ligadas ao universo do envelhecimento e da longevidade, além da chegada da primavera, com certeza um sopro de vida para esse momento de pandemia de Covid-19. Dia 10 de setembro é o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, que deu origem a campanha Setembro Amarelo, e no dia 21 é o Dia Mundial de Prevenção e Conscientização sobre o Alzheimer.

A depressão e o isolamento social, principalmente na pandemia, têm efeito extremamente nocivo sobre as pessoas idosas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 11,1% das pessoas de 60 a 64 anos estão depressivas. O que, num ato impulsivo, pode levar ao suicídio. Por isso é preciso falar, sem julgamentos e acolher quem passa por uma doença como essa.

Quando se fala em atenção integral à saúde do idoso, como determina o artigo 15 do Estatuto do Idoso, se pensa em doenças crônicas, quedas, demências e outras enfermidades, mas a saúde mental fica em segundo plano. E o que preconiza a Gerontologia é o envelhecimento em seus aspectos físicos, psicológicos e sociais. Porém, os próprios idosos são os que mais acreditam nos mitos e tabus relacionados ao assunto.

A pesquisa Depressão, suicídio e tabu no Brasil: um novo olhar sobre a saúde mental, realizada pela Pfizer e pelo Ibope no ano passado, apontou que os idosos acreditam em relações, por exemplo, entre depressão e falta de fé, quando na verdade se trata de uma doença. Por isso falar sobre o tema é tão importante, como propõe o movimento Falar Inspira Vida lançado recentemente.

Alzheimer

A doença de Alzheimer é, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a forma mais comum de demência, representando até 70% de todos os casos. Entre os sintomas além da perda de memória recente, alterações no comportamento e agressividade. A estimativa é que no país 1,2 milhão de pessoas tenha a doença.

Aqui o desafio não é apenas no acesso à saúde para quem é diagnosticado com Alzheimer, mas principalmente para os cuidadores. Função assumida na maioria das vezes por familiares, especialmente as mulheres, e que não está prevista em legislações. Por isso não contam com uma rede de suporte oficial para quem muitas vezes precisa abdicar de suas atividades para se dedicar ao outro. E quando se fala em profissionais, o que dizer do veto à regulamentação de uma função tão fundamental como ocorreu no ano passado?

Segundo o inciso 1º do artigo 19 do Estatuto do Idoso, parágrafo que foi acrescido em 2011, “considera-se violência contra o idoso qualquer ação ou omissão praticada em local público ou privado que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico”. A quem podemos impor esse crime de falta de ação e omissão em relação á saúde mental do idoso e de sua família? Mais uma vez é a prática muito longe do que diz o papel.