O envelhecimento populacional é um desafio compartilhado por todos

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envelhecimento populacional

Uma pergunta cada vez mais difícil de responder é como o Brasil pretende enfrentar seu desafio de envelhecimento populacional a curto, médio e longo prazo, quando o que se vê é o descaso com essa importante e crescente parcela da população. O período de pandemia de Covid-19 é de transformações, mas parecemos distantes da construção de uma sociedade mais solidária. Uma sociedade atenta às necessidades e demandas da pessoa idosa beneficia a todos. Afinal, como sempre diz a antropóloga Mirian Goldenberg, seremos todos velhos, hoje ou amanhã.

A pergunta sobre esse desafio não só brasileiro, mas mundial, de enfrentamento ao envelhecimento populacional é feito no livro “Economia da Longevidade – O envelhecimento populacional muito além da previdência” (Editora 106). O professor e pesquisador Jorge Félix é um dos primeiros brasileiros a estudar a Economia da Longevidade. Algo que vai muito além de marketing focado em um nicho de mercado que vem sendo descoberto pelas empresas e pela mídia de forma geral.

Como destaca o especialista, há um potencial estratégico para o desenvolvimento econômico do país por meio de investimentos, estímulos à iniciativa privada e políticas públicas voltadas para esse segmento como já ocorre em outros países. Citando a Oxford Economics, Félix afirma que a economia da longevidade “é a soma de toda atividade econômica para atender às necessidades daqueles com mais de 50 anos e incluindo tanto os produtos e serviços que eles consomem diretamente como a atividade econômica que esse gasto possa gerar”.

Assim como no campo acadêmico, as vertentes de estudo e pesquisa deixaram o foco inicial apenas nas perdas do envelhecer, o envelhecimento populacional precisa ser visto muito além de custos, mas como uma potencial fonte de receitas. É o que defende o professor e quem passa a ter um olhar gerontológico, concorda. São oportunidades e desafios que abrangem aspectos biológicos, psicológicos e sociais, e que podem representar uma virada na forma como nos percebemos enquanto sociedade. As pessoas idosas são muito mais do que um grupo vulnerável e com mais riscos para a Covid-19.

Educação e mudança

O desafio principal está na mudança cultural como propõe a ativista da longevidade Norma Rangel, criadora do Novo D+ Para Ser Velho e que recentemente deu início aos Encontros Intergeracionais da Longevidade. E acredito que o primeiro passo está na educação, como Félix também destaca no livro e já afirmei em colunas anteriores. Passou da hora de colocarmos em prática o artigo 22 do Estatuto do Idoso e incluir no currículo dos diferentes níveis de ensino conteúdos voltados ao processo de envelhecimento, ao respeito e valorização do idoso, diminuindo o preconceito e contribuindo para a produção de conhecimento.